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Tão perto do céu!

Há um lugar nesse Rio Grande do Sul onde paredões de pedras parecem tocar o céu, onde o chão parece que repentinamente vai sumir debaixo de nossos pés e onde vales verdes tem o som dos rios e das cachoeiras...
Eu falo dos Campos de Cima da Serra, uma área imensa - 21 mil quilômetros quadrados -, gelada no inverno e que abriga os maiores cânions do Brasil.

E é lá onde minha vontade sempre teima em ficar mais tempo olhando o horizonte gigante e o fundo dos paredões.... e no fim de tudo, quando o sol oferece um espetáculo entre pinheiros eu vou para a minha barraca.... e ela que me abraça e me guarda nesse mundo maravilhosamente gigante!
Toda vez que vou lá, penso: que baita ideia essas barracas! Então, nada melhor que conversar com o criador disto tudo... o Rafael Peccin, 37 anos, formado em Turismo, conta de onde veio a inspiração e como conseguiu botar esta ideia em pé:

Como surgiu e de onde trouxeram a ideia de construir um acampamento de luxo?


A ideia surgiu em uma viagem do meu irmão, Felipe, pelos Estados Unidos. Durante uma visita ao Parque Nacional do Yosemite, ele se hospedou em uma barraca estilo as que o exército usa, muito simples, mas com camas e com uma infraestrutura que lembrava um hotel. De lá ele ligou para o meu pai, e deu idéia que estávamos procurando, pois desde início queríamos um projeto diferenciado para aquela área em Cambará do Sul.
Luciano, sempre muito empreendedor, foi desafiado pela idéia de fazer barracas que aguentassem o frio dos Campos de Cima da Serra. Desenhou os primeiros esboços baseados em uma barraca comum e buscou materiais térmicos que resistissem as baixas temperaturas. Depois entrou minha mãe com as mãos de decoradora para dar o toque e o charme final as primeiras barracas térmicas do Brasil.

 Há quanto tempo existe e em quando teve retorno do  investimento?

O Parador tem 15 anos como hotel. Um pouco antes, em meados de 2001, havia somente o restaurante que servia da base para os hóspedes de Gramado que levávamos para visitar os cânions. Por isso o nome Parador.
O investimento demorou anos para retornar. Passamos muito tempo acreditando no desenvolvimento da região, aguardando investimentos Estaduais e Federais, mas infelizmente aconteceu o contrário. Os parques foram esquecidos, as estradas abandonadas e cada vez mais a região esquecida. Foi aí que buscamos melhorar cada vez mais para fazer do hotel um destino, oferecendo mais estrutura e melhores serviços e divulgando o empreendimento e a região ao mercado e através de feiras de turismo. Hoje estamos colhendo os frutos.

A escolha daquele lugar (campos de cima da Serra) perto dos cânions era fundamental? Por que?


Quando decidimos investir na região acreditávamos que lá seria o futuro do turismo no RS por várias caraterísticas. Situado na Serra Gaúcha próximo a Gramado, estar em uma estrada que leva ao principal cânion e faz divisa com Santa Catarina e claro, pela beleza da região e a grandiosidade dos cânions, que tem características únicas no mundo. 


O material usado foi fruto de pesquisa por causa do frio?

Sim. Antes implantarmos as barraca no local construímos um exemplar que serviu de modelos para testes durante alguns meses. A barraca ficou montada no estacionamento do hotel de Gramado onde foram sendo feitos os ajustes necessários. Mas deu mais certo que encomenda… rsrs.

E a preocupação estética?


Isso sempre foi uma premissa. Até hoje nos preocupamos muito com a estética procurando cuidar dos mínimos detalhes de cada cantinho do hotel. Na arquitetura procuramos sempre preservar a beleza do lugar, valorizando a vista, os materiais naturais como madeira, pedra, palha e preservando o relevo natural do terreno. A estrutura de lazer e gastronomia está localizada na área mais plana e as barracas são interligadas por decks de madeiras.

O parador é lindo, a paisagem e linda, mas o que a equipe faz para seduzir ainda mais seus hóspedes?


Nossa característica, Casa da Montanha, é receber os hóspedes nos nossos hotéis como recebemos os amigos em nossas casas. Isso vem da família e assim preservamos nos nossos negócios. Essa á a principal premissa. Mas além disso, treinamos nossos colaboradores para exercerem suas funções sem deixar de ser eles mesmos, sem perder suas personalidades. Isso faz toda a diferença. Treinamos muito todos, todos os dias, para as coisas saiam corretas, mas errar é naturalmente humano. Então se errarmos procuramos corrigir da forma mais natural e verdadeira possível.
Além dessa característica humana, procuramos trazer mimos, detalhes e carinhos de todos os jeitos, seja na forma de servir, de arrumar as camas ou de cozinhar.

A crise na economia afeta o turismo de luxo ou ainda se mantém distante?

Afeta. Diria que menos, pois o turismo de luxo atinge uma fatia de mercado que, apesar de sentir a crise, não deixa de desfrutar de uma boa qualidade de vida. No caso do Parador não nos consideramos um produto de luxo, pelo contrário. O que oferecemos são experiências, seja através do meio de hospedagem, da gastronomia, dos passeios ou dos serviços. É isso que as pessoas dão cada vez mais valor.

IMG 3271Você é filho de hoteleiro, você cresceu pensando em trabalhar nesse setor ou tinha outros planos?

De maneira nenhuma, rsrs… Sempre gostei muito de comunicação, marketing. Queria ser publicitário. Fui em busca disso, morei em Poa, cursei Design e cheguei a fazer escola de criação na ESPM, mas fui seduzido eplo projeto do Parador e acabei voltando para a Serra, onde me formei em Turismo pela UCS e participei da implantação do Parador. Nessa época cheguei a morar em Cambará por um tempo, me dividindo entre o hotel e a faculdade, em Canela. Apesar de trabalhar na hotelaria, cuido da área de marketing e comercial dos hotéis, então acabo fazendo o que gosto.

 

Você e feliz naquele lugar onde a natureza é, ao mesmo tempo, rude e espetacular....?


Muito. É um lugar que me completa. Apesar de morar em Gramado e trabalhar no Hotel Casa da Montanha, onde está a nossa área administrativa, o Parador sempre me renova. Tenho uma conexão especial com o lugar… Tem uma energia incrível e muito especial para mim.

 Vocês tem uma boa , ótima cotação em seleções de acampamentos de luxo no mundo? Quais? Sabe quantos existem?

Existem muitos… São chamados de Glampings (Glamour-Camping) No sul da África existem vários. Aliás, foi de lá que veio muitas de nossas inspirações. A ideia veio dos EUA, mas os detalhes e as maiores inspirações vieram de lodges da África do Sul. Mas hoje existem projetos realmente incríveis no mundo todo. A poucos dias estava lendo uma matéria sobre um nos arredores de Veneza. Tenho curiosidade de conhecer um no deserto da Austrália também. Se pesquisar por glampings pelo mundo vai se surpreender.

Deixa uma dica pra quem sonha em ter um empreendimento de luxo...


Eu diria que o luxo não é riqueza e sim estilo de vida. Esta na forma de empreender, surpreender, fazer a diferença, ser hospitaleiro. O Luxo está ma essência das coisas. Busque isso, faça com amor e será bem sucedido.

 

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